domingo, 3 de julho de 2011

E POR FALAR NO AMOR...


Falei muito nesses dias;
Dei muitas explicações;
Alguns poucos conselhos;
Também fiz indagações;

Dos problemas que surgiram,
Das ajudas que pediram,
Das razões, das razões, das razões...

E ninguém falou de amor!

Ninguém falou:

Da emoção à flor da pele, do obrigado à prestação,
Do bom dia ao passar, da saúde ao espirrar,
Dos desejos, das conquistas...

Nem me deram uma pista

Para eu poder falar de amor

Tua culpa então é minha
E meu erro então é teu.
Dou-me a ti e ti a mim
Para não sermos mais assim

Se lembrar que somos um!
Sempre que um de nós cair,
Sempre que um de nós fugir.

E na dúvida, esperar!

Porque a gente vai lembrar!
Sempre que um de nós sair,

Que a gente vai voltar...

sábado, 2 de julho de 2011

E SE EU NÃO FOR VOCÊ?

As pessoas me provocam. As pessoas me provocam sempre que dizem algo. As pessoas me provocam sempre que dizem algo falando. As pessoas me provocam sempre que dizem algo falando com a boca. As pessoas me provocam sempre que dizem algo falando com os olhos.
Não: As pessoas me provocam. Suas falas; desafiam-me. Suas bocas, sempre me desafiam. Seus olhos, sempre querem algo de mim. E ambos gostam de testar minhas dúvidas. Porque eles esperam de mim, minhas certezas.
Minha certeza é apenas minha verdade. E a minha verdade é minha, apenas.
Não gosto das falas, e sabem por quê? Porque quase sempre vos escondem e me impedem de entrar em vocês. Por isso sempre me desafiam.
É; as pessoas me provocam. Seus olhos me desafiam, sempre. Eles também gostam de testar minhas dúvidas. Eles também esperam de mim as minhas certezas.
Mas os olhos nunca mentem. E sabem por quê? Porque os olhos falam mais do que palavras. E nunca vos escondem. E, ainda que vós entreis em mim, eu também entro em vós.
Mas minha certeza é apenas minha verdade. E a minha verdade é minha, apenas.
Não gosto dos olhos. E sabem por quê? Porque também entram em mim. Eles me fuçam por dentro. Eles procuram meus olhos, a porta de entrada deles. Eles buscam a verdade, seja ela qual for, porque, se vós assim quereis, sempre estarei olhando para vós.
E esta é uma das minhas verdades. E sabem por quê? Porque minhas verdades, quase sempre, estão em minhas dúvidas...
Por isso vossos olhos nunca encontram a minha verdade. E sabem por quê? Porque eles não vos a querem. Porque eles buscam a verdade deles! Por isso guardo minhas verdades em minhas dúvidas. E sabem por quê? Apenas para que se tornem vivas as vossas verdades.
Para que, em mim, vós encontreis a vós. E assim permaneço, olhando para vós. Porque lhes dou meus olhos. Dou-vos, assim, a vossa porta de entrada. E sabem por quê? Porque sendo vossa, ela não me pertence. A vossa verdade, não me pertence. E isso vossos olhos nunca veem...
E aí, fico como? Vós, que fazem questão de manter vossas verdades em vossas certezas, vos confortais em me amar e em me querer, porque vos encontrais em mim – e em minhas dúvidas, vós? E assim, usam a mim, sem perceber que o que vós quereis sois, apenas, vós? E sabem por quê? Ora, isso deve ser tudo o que vós sabeis. Pois então me digais vós, porque eu sou aquele que, desta vez, nada mais quereria, senão apenas ouvir-te...