As pessoas me provocam. As pessoas me provocam sempre que dizem algo. As pessoas me provocam sempre que dizem algo falando. As pessoas me provocam sempre que dizem algo falando com a boca. As pessoas me provocam sempre que dizem algo falando com os olhos.
Não: As pessoas me provocam. Suas falas; desafiam-me. Suas bocas, sempre me desafiam. Seus olhos, sempre querem algo de mim. E ambos gostam de testar minhas dúvidas. Porque eles esperam de mim, minhas certezas.
Minha certeza é apenas minha verdade. E a minha verdade é minha, apenas.
Não gosto das falas, e sabem por quê? Porque quase sempre vos escondem e me impedem de entrar em vocês. Por isso sempre me desafiam.
É; as pessoas me provocam. Seus olhos me desafiam, sempre. Eles também gostam de testar minhas dúvidas. Eles também esperam de mim as minhas certezas.
Mas os olhos nunca mentem. E sabem por quê? Porque os olhos falam mais do que palavras. E nunca vos escondem. E, ainda que vós entreis em mim, eu também entro em vós.
Mas minha certeza é apenas minha verdade. E a minha verdade é minha, apenas.
Não gosto dos olhos. E sabem por quê? Porque também entram em mim. Eles me fuçam por dentro. Eles procuram meus olhos, a porta de entrada deles. Eles buscam a verdade, seja ela qual for, porque, se vós assim quereis, sempre estarei olhando para vós.
E esta é uma das minhas verdades. E sabem por quê? Porque minhas verdades, quase sempre, estão em minhas dúvidas...
Por isso vossos olhos nunca encontram a minha verdade. E sabem por quê? Porque eles não vos a querem. Porque eles buscam a verdade deles! Por isso guardo minhas verdades em minhas dúvidas. E sabem por quê? Apenas para que se tornem vivas as vossas verdades.
Para que, em mim, vós encontreis a vós. E assim permaneço, olhando para vós. Porque lhes dou meus olhos. Dou-vos, assim, a vossa porta de entrada. E sabem por quê? Porque sendo vossa, ela não me pertence. A vossa verdade, não me pertence. E isso vossos olhos nunca veem...
E aí, fico como? Vós, que fazem questão de manter vossas verdades em vossas certezas, vos confortais em me amar e em me querer, porque vos encontrais em mim – e em minhas dúvidas, vós? E assim, usam a mim, sem perceber que o que vós quereis sois, apenas, vós? E sabem por quê? Ora, isso deve ser tudo o que vós sabeis. Pois então me digais vós, porque eu sou aquele que, desta vez, nada mais quereria, senão apenas ouvir-te...